Administração do tempo

Este assunto está voltando à moda. Já foi um dos mais importantes nos meios empresariais nos anos 1980.

Mas será tão importante administrar o tempo?

Nenephta foi o arquiteto da tumba do faraó Seti I, há uns 3200 anos atrás. O que ele fez ou deixou de fazer não faz mais a menor diferença. Na época pode ter sido importantíssimo, mas hoje desapareceu na poeira do tempo e do deserto.

Há uma fábula moderna que conta a história de um empresário que tinha uma sala na qual somente ele entrava. Ninguém mais.

Depois de 70 anos de controle da empresa e da sala, faleceu com mais de 90 anos o velho empresário. Anunciada a sua morte, formou instantaneamente uma longa fila à porta da sua já mitológica sala. Todos queriam conhecer seu conteúdo secreto.

Para surpresa da multidão de curiosos, a mobília daquele ambiente resumia-se a duas mesas com grandes pilhas de papeis sobre elas identificadas por dois cartazes. Em um cartaz estava escrito: “Problemas que o tempo vai resolver” e no outro: “Problemas que o tempo já resolveu”.

A preocupação com a administração do tempo me parece um tanto quanto tola se considerarmos a finitude da vida e a nossa insignificância perante os fatos que ocorrem à nossa volta e sobre os quais não exercemos qualquer influência.

Quantas pessoas extremamente ocupadas já se foram e o que deixaram de fazer não alterou em nada o desenrolar dos acontecimentos quotidianos de quem ficou.

Tentamos controlar o tempo, mas não temos qualquer controle sobre nossas próprias vidas. Um acidente, uma doença, um ataque da natureza com um vulcão, um terremoto, um furacão ou uma inundação, podem acabar repentinamente com todo nosso trabalho, nosso investimento e nossa própria existência. E com nossas preocupações.

Quem tem muita coisa a fazer possivelmente as tenha porque não as delega a outras pessoas. Julga-se indispensável e a única pessoa capaz de resolvê-las, até que o avião cai levando-o junto para o abismo do esquecimento.

O mundo continuará girando independentemente de nós. Se os pais fossem tão importantes, todos os filhos estariam desgraçados por sua falta, o que não acontece em absoluto.

Governos passam, empresários passam, tudo passa. Nada persiste indefinidamente. Seremos nós a controlar o mundo e as pessoas? Ledo engano! Grande vaidade! Suprema ignorância.

Façamos um GUT sobre nossas atividades: Qual a gravidade? Qual a urgência? Qual a tendência? Ou, parafraseando Dale Carnegie, “O que de pior pode acontecer se não as realizarmos?

Talvez estes raciocínios nos levem a aproveitar melhor a dádiva do pouco tempo que ganhamos de presente e que dia após dia desperdiçamos preocupados em fazer coisas que não teríamos que fazer se não existíssemos.

A música “Vida” composta para as comemorações de final de ano da RBS, chega a uma conclusão arrebatadora: “E quem sabe a vida é da vida a razão!” Será que já paramos para pensar nesta grande verdade?

A gloriosa vida do Nenephta passou há mais de 3000 anos, e a nossa, num futuro não muito distante, também pertencerá a um passado milenar no qual faremos, para sempre, parte da pilha dos problemas que o tempo já resolveu.

 

Fabio Jacques diretor da A FJACQUES – Gestão Através de Ideias Atratoras, uma empresa coirmã da SELCON – Consultores Associados – Ms. Francisco Lumertz (Prof. Chicão)

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