O Novo Administrador Racional e a falta de identidade das empresas.

As causas da maior parte dos problemas que ocorrem em um sistema podem ser identificadas através de um processo de comparações. Esta é a base de uma das melhores metodologias de “Análise de Problemas e Tomada de Decisão” apresentada no livro “O Novo Administrador Racional” de Charles H. Kepner Benjamin B. Tregoe, o qual recomendo.

Algumas perguntas interessantes propostas pela metodologia, que a seguir cito numa linguagem livre, levam com grande objetividade e eficácia ao foco gerador do problema.

 

  • Onde se encontra o sistema com problema?
  • Que outros sistemas se encontram no mesmo lugar e não apresentam o problema?
  • Onde no sistema se encontra o problema?
  • Onde (no sistema) poderia se encontrar o problema e não se encontra?
  • Que outros sistemas semelhantes deveriam apresentar o mesmo problema e não apresentam?
  • Onde está a diferença entre estes sistemas e aquele em estudo?

Estas perguntas, principalmente as duas últimas podem lançar luzes sobre a maior parte dos problemas pelos quais passam nossas empresas, especialmente no que se refere ao relacionamento com os colaboradores.

Uma empresa é uma associação humana como inúmeras outras. As pessoas sempre formam grupos afins em torno de alguma ideia comum.

Vejamos alguns exemplos de associações de pessoas que, conforme a última pergunta proposta pela Metodologia Kepner Tregoe, deveriam apresentar os mesmos problemas das empresas e não apresentam.

  • Um clube de futebol
  • Uma igreja
  • Uma entidade de filantropos do tipo Médicos sem Fronteiras

As pessoas, em primeiro lugar, se agregam a estas entidades voluntariamente. Ninguém é obrigado a torcer por um clube ou a frequentar determinada igreja. Só participa quem quiser efetivamente participar.

Em nenhuma destas associações são ministrados cursos ou treinamentos no sentido de motivar as pessoas a participarem. A própria convivência as motiva.

Ainda que não atuando diretamente em algumas delas, como no clube de futebol ou nos Médicos sem Fronteiras, as pessoas contribuem voluntariamente, torcem pelos resultados, vibram com as conquistas como se fossem os próprios protagonistas. Quantas pessoas se consideram campeãs sem jamais ter pisado em um gramado? E quantas discutem e até brigam quando alguém fala mal de seu time?

Estas entidades não pagam nada às pessoas pela sua participação, muito antes pelo contrário. A pessoa é quem paga à entidade. A única coisa que a entidade proporciona à pessoa é o prazer da conquista e o orgulho de pertencer a um grupo vencedor.

A empresa, por sua vez, paga às pessoas pela sua participação o que nos levaria a pensar que as pessoas sentiriam ainda mais apego a esta entidade e maior orgulho em pertencer aos seus quadros. As vitórias da empresa seriam igualmente suas vitórias. A abertura de uma nova filial seria comemorada como a conquista de um título no campeonato nacional.

Mas nada disto acontece. Por quê?

Multidão em frente a um estádio de futebol é torcida por um grande jogo. Multidão em frente à igreja é encontro de fé e oração. Multidão em frente à empresa é greve.

Esta é a grande questão a ser respondida.

Está claro que existe um grande equívoco por parte das empresas que as tornam tão diferentes das demais associações de pessoas. A única semelhança é a voluntariedade. Ninguém é obrigado a trabalhar em uma determinada empresa, mas as semelhanças acabam por aqui. Sair de uma empresa geralmente acarreta maior prejuízo do que abandonar qualquer outra entidade. Muito pouca gente vibra pela sua empresa. Muitas até dão o mínimo de si apenas para manter seu salário e outras ainda até mesmo trabalham contra a organização.

Jamais alguém vai encontrar na rua duas pessoas discutindo e defendendo suas empresas. Seus times e suas religiões, sim.

Onde está o erro?

Se os clubes e as igrejas conseguem estampar suas ideias nas circunvoluções cerebrais das pessoas, por que as empresas não conseguem?

Deixo esta pergunta que não quer calar a ser resolvida pelos empresários. Quando descobrirem a resposta, provavelmente resolverão a maior parte de seus problemas não só de relacionamento como também de desempenho e resultados.

O Novo Administrador Racional e a falta de identidade das empresas.

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