Por que privatizar antes que as empresas colapsem?

“Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir. Se uma casa se dividir contra si mesma, igualmente não conseguirá manter-se firme”.

(Marcos 3:24-25)

A defesa da “Soberania Nacional” para justificar a existência de empresas estatais não passa de falácia e advocacia em causa própria.

Pelo modelo de governo por cooptação reinante no Brasil, qualquer empresa estatal proporciona uma infinidade de cargos a serem distribuídos em contrapartida ao apoio aos projetos do governo de plantão. Quanto mais empresas, mais cargos disponíveis para negociação.

Nenhuma organização subsiste quando as cabeças que a comandam conflitam entre si.

Os Beatles, por exemplo, num curto período de tempo saltaram do completo anonimato para o primeiro lugar nas paradas de sucesso onde se mantiveram por mais de 10 anos, até que os interesses pessoais de seus membros sobrepujaram os interesses da banda. Aí colapsaram. Para nossa sorte, as desavenças internas que provocaram o fim da banda não empanaram o brilho de suas composições que permanecem vivas e com mais adeptos a cada dia.

A Igreja Católica tem travado desde seus primórdios uma batalha para conservar uma visão teológica única que possibilite manter o rebanho coeso no seu entorno. Sempre que visões diferentes criaram corpo e não puderam ser eliminadas, ocorreram cismas e separações. E estas partes separatistas continuam sofrendo do mesmo mal subdividindo-se em uma infinidade de outras igrejas e seitas.

Grandes grupos empresariais, como por exemplo, o Grupo Matarazzo que chegou a ser o maior grupo empresarial da América Latina, se desenvolveu de forma vertiginosa enquanto o fundador Conde Francesco Matarazzo monopolizou o controle e a gestão. Quando deixou para seus descendentes, ideias diferentes foram se enraizando levando, ao fim e ao cabo, à sua falência.

E as empresas estatais?

Como o governo precisa de apoio no congresso para aprovar seus projetos, vai lotando os cargos desde o conselho até os escalões mais baixos da hierarquia. Empresa estatal é como coração de mãe, sempre cabe mais um.

Não há interesse por parte dos partidos políticos em indicar os melhores especialistas e nem a preocupação com os resultados produzidos por eles. Basta ver que grande número de sindicalistas ocupou e ainda continua ocupando cargos da mais alta relevância em ministérios, conselhos administrativos e diretorias de estatais. Até mesmo áreas eminentemente técnicas são ocupadas por pessoas sem a menor qualificação ou familiaridade com a especialidade.

Mas e isto pode dar certo?

Logicamente que não. Este tipo de procedimento jamais ocorreria em uma empresa privada porque se ocorresse a falência seria o horizonte mais próximo. Mas o governo sempre tem dinheiro para suprir os prejuízos e assim a mamata continua.

O exemplo de Porto Alegre

Na Capital Gaúcha, em igualdade de trajetos e valor de tarifa, a estatal dos transportes de passageiros tem necessitado de aportes públicos de 40 a 50 milhões de reais por ano para fechar suas contas enquanto as concorrentes privadas continuam lucrativas.

Só defendem a manutenção das estatais os beneficiários das benesses por elas proporcionadas, motivo pelo qual criam o mito da Soberania Nacional para sensibilizar seus seguidores e uma parcela de incautos e inocentes úteis da população.

Não há outra saída a não ser a privatização. Isto não significa que as empresas devam ser doadas à iniciativa privada como algumas vezes têm acontecido. Tem que privatizar dentro dos valores reais calculados por alguma das metodologias contabilmente aceitas, ou eliminadas quando a iniciativa privada tiver condições de assumir o serviço sem necessidade de investimento.

Em resumo, múltiplas ideias não alinhadas inevitavelmente provocam o esfacelamento de qualquer empreendimento. Isto nos leva ao conceito de Ideias Atratoras desenvolvido pela FJacques. Se não houver um caixa infinito que supra todas as deficiências, a morte é certa. Isto já era sabido há mais de 2 000 anos.

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