Das coisas que não posso entender

Das coisas que não posso entender
uma é o sol nascer de dia, quando não devia ser.
Devia nascer de noite, para a noite esclarecer.
Se o dia já é claro, o que vem o sol fazer
?”

Esta quadra do folclore sertanejo, além de sua graça própria e da genialidade de seu criador, traz embutida uma mensagem que evidencia uma das causas geradoras de muitos dos problemas que contribuem para a improdutividade de nossas empresas.

Vou me queixar, mesmo porque alguém precisa se queixar publicamente. Muitos não se queixam e sofrem em silêncio. Quero que minha queixa represente a queixa de todos aqueles que se calam e engolem em seco por não poderem gritar. Quero ser a sua voz.

Mas, afinal, do que estou falando?

Respondo com um exemplo ilustrativo.

Uma empresa, mergulhada em problemas, me contratou para ajudá-la a sair da sinuca de bico em que se encontrava.

Como o problema resultava diretamente de sua gestão um tanto quanto equivocada, a mudança de modelo produziu resultados quase que imediatamente.

Uma vez por semana, o empresário vinha me visitar e, vendo a melhoria dos resultados me dizia:

“- Viu, Jacques, como as ações que tomamos antes da tua contratação estão surtindo bons resultados?”

Minha resposta sempre era a mesma: “Ahnrã.”.

Minha queixa é apenas simbólica. Eu só fiz aquilo para o que fui contratado. A tentativa de desprestígio nunca me afetou porque ao longo da vida aprendi a reconhecer o cego dormindo e o rengo sentado, como se diz no Rio Grande do Sul. Era só o “jus sperniandi” se manifestando em uma pessoa que não conseguia admitir que alguém pudesse fazer algo melhor do que ela.

Já passei, muitas vezes, por outras situações semelhantes, e já vi muitas pessoas sofrendo por não verem suas realizações reconhecidas. Alguns até depressivamente. A estes, digo com meu grito: sintam-se vingados.

E, se pudesse dar um conselho aos empresários, diretores e a todos os que exercem funções de comando, este conselho seria:

Reconheça que é o sol que clareia o dia. Dê o devido mérito a quem se esforça em contribuir para iluminar e dar maior brilho ao seu negócio. Você só tem a ganhar. Reconhecidas, as pessoas retribuirão com muito mais esforço e dedicação. E não custa nada.

E, como brinde final, deixo o grande exemplo de reconhecimento dado por Andrew Carnegie, o rei do aço americano, que mandou escrever na lápide de seu próprio túmulo:

carnegie post

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