A galinha comprometida

As empresas são sistematicamente assoladas por analogias que acabam viralizando sendo repetidas como verdadeiros mantras empresariais. A maior parte é relacionada com motivação e comprometimento.

Não posso criticar a intenção com que foram criadas, uma vez que podem até atender aos propósitos idealizados,. Contudo, analisando-as mais detidamente, é possível ver que seu sentido nem sempre é condizente com a realidade.

Consideremos apenas um caso entre muitos: A fábula do bacon com ovos.

O maior exemplo da dicotomia entre comprometimento e envolvimento é a analogia do breakfast americano: bacon com ovos.

Segundo a fábula, a galinha que pôs o ovo e se retirou é o protótipo do envolvido, aquele que considera que o problema não é dele e que está apenas fazendo número dentro de uma organização. E o porquinho, cujo suculento bacon frito jaz ao alcance de nossos ávidos olhos, é o modelo de comprometido. Entregou-se por inteiro.

Será mesmo?

Olhemos agora a realidade do fato.

A galinha, a “envolvida”, é a fiel amiga que todo o dia nos regala com sua contribuição espontaneamente doada. Ela ainda nos alegra com seu canto de alegria ou de alívio, mesmo porque botar um ovo pode não ser uma tarefa muito agradável. O porquinho, o “comprometido”, somente posará no nosso prato se o prendermos e, talvez o termo não seja o mais adequado, o assassinarmos. Se dependesse de sua vontade, jamais haveria bacon, costeletas ou pernis suínos.

Qual dos dois é o comprometido?

Neste quesito, a galinha tira nota dez. É voluntária, colaborativa e persistente, pois todos os dias nos entrega sua oferenda, até chegar o dia em que acabe igualmente na panela. O porquinho jamais pode ser exemplo, nem de comprometimento e nem de envolvimento. É apenas um desgraçado que, por vontade própria, já teria se embrenhado na floresta sumindo definitivamente de nossas vistas.

Olhando sob este prisma, a analogia é infeliz.

O comprometimento pressupõe voluntariedade, contribuição espontânea e persistência na doação. Dia após dia a amiga galinha cumpre com aquilo a que se propôs: fornecer seus ovos. Há melhor exemplo de comprometimento?

Quando a contribuição é coercitiva não há comprometimento. Levando a um extremo o raciocínio, aquele que doa uma esmola em um semáforo seria o envolvido porque dá sua contribuição e vai embora, enquanto que aquele que entrega seu dinheiro sob a ameaça de uma arma seria o comprometido. Faz sentido?

A ideia geradora da analogia galinha – porquinho pode até ser bem intencionada, mas é equivocada.

Somente pessoas livres podem comprometer-se com algum propósito. A liberdade é pré-requisito básico da motivação, e, como uma gestão vitoriosa depende fundamentalmente da motivação, a liberdade deve ser estimulada ao máximo.

No Modelo de Gestão GAIA, a liberdade é uma das mais importantes ferramentas. Lança-se um objetivo, celebra-se ritualmente o comprometimento entre as partes e libertam-se as pessoas para que possam dar o melhor de si pela empresa e por si mesmas. Os resultados sempre são altamente compensadores.

E viva a galinha comprometida.

A galinha comprometida

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