A fábula da formiga desmotivada e a gestão empresarial

Há muitos anos vem girando na internet a história da Formiga Desmotivada.

Para quem não conhece, a fábula conta a história da Formiga, que trabalhava em uma empresa. Um dia o seu gerente, o senhor Leão, se preocupou com o fato de, apesar de produzir bem, ela trabalhava sozinha e sem supervisão.

Ele genialmente concluiu: Se ela produzia tanto sozinha, o quanto não produziria se houvesse alguém que a controlasse?

A partir deste raciocínio, contratou uma Barata como sua supervisora. Também começou a investir em sistemas auxiliares que criaram grande quantidade de belos relatórios. Até mesmo a consultora de alto nível da dona Coruja foi contratada.

Pois foi a dona Coruja que, após longos estudos, concluiu que a estrutura da empresa estava inchada. Como solução, sugeriu corte de pessoas sendo a primeira demitida a Formiga que já não produzia tão bem por se encontrar muito desmotivada.

Retrato perfeito

Atribuída a um autor desconhecido, a fábula retrata com perfeição e atualidade um dos maiores fenômenos que acontecem em grande parte de nossas empresas.

Não conheço ninguém que tenha lido a fábula e não tenha se lembrado de sua própria empresa. Mas poucos tomam alguma atitude para alterar esta realidade.

Inúmeras empresas seguem o modelo de gestão do Leão. Conheço pelo menos duas grandes multinacionais nas quais a quantidade de pessoas indiretas já foi maior do que a da mão de obra direta. Nas nacionais isto também é bastante comum, pelo menos em volume salarial.

Quando este modelo equivocado é implementado, a improdutividade passa a ser a norma. Vendo acumularem-se cargos não produtivos, sempre com salários muito mais altos, quem produz se sente desestimulado. Não tem como não se sentir.

Este paradoxo advém do fato de que as empresas consideram que a não de obra operacional é muito mais abundante e fácil de captar no mercado, enquanto que as não produtivas são muito mais escassas por exigirem maior nível de escolaridade ou especialização.

As empresas vão se tornando repletas de Baratas, Aranhas, Cigarras e Corujas enquanto que as Formigas vão minguando em número, motivação e salário.

Na medida em que a tecnologia evolui aumentam os não produtivos. Mais informática, mais relatórios, mais análises, mais projeções, mais planejamento, mais benefícios, mais treinamento genérico só podem exigir o trabalho de um batalhão de insetos dos mais variados matizes, menos de Formigas.

A fábula é perfeita em sua ironia. As empresas estão inchadas. Como a desmotivação aumenta, a energia se dissipa improdutivamente, o ponto de equilíbrio vai às alturas e a empresa ruma em direção à falência.

Raciocínio circular

Um raciocínio circular pode lançar algumas luzes para iluminar a solução deste problema.

Num extremo a empresa está nascendo. Ela sempre é criada para produzir e vender algum produto ou prestar algum serviço. Muitas começam com o próprio empreendedor Formiga operando numa bancada de trabalho. Nenhuma começa pelos controles, análises, projeções, planejamentos estratégicos ou gestão de RH. Estas funções vão sendo agregadas posteriormente como suporte da operação, mas com o tempo tendem a criar vida própria e atuar como uma entidade paralela.

No outro extremo a empresa está morrendo. Quais serão as últimas sobreviventes? Com certeza não serão as não produtivas. A última será alguma Formiga tentando produzir ou vender mais uma peça para pagar compromissos remanescentes.

Ou seja, no início e no fim só Formigas. Por que não procurar chegar o mais perto possível da operação botando para correr o bando de insetos nefastos?

É bom pensar nisto enquanto ainda é tempo.

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