Opinião: Será que é tão difícil?

Hoje iniciamos uma nova sessão no blog da FJacques. Neste espaço, publicaremos textos de convidados e parceiros com seus pontos de vista sobre assuntos pertinentes ao modelo de Gestão Através de Ideias Atratoras®.

O primeiro colaborador é o jornalista Luis Felipe Corullón, de Viamão (RS). No texto chamado “Será tão difícil?”, Corullón reclama de um problema recorrente e bastante sério nos dias de hoje: a diferença que a valorização das pessoas de uma empresa pode fazer na motivação e na produtividade de todo o sistema. Além disso, Corullón também ressalta a importância de, e a falta que faz, uma melhor colaboração entre profissionais e setores que competem, quando deveriam buscar crescer juntos.

 


Será que é tão difícil?*

Luis Felipe Corullón

Lá venho eu, de novo, falar disso. Textão de novo… Mas é que… não me deixam parar!

gravata 900A falta de profissionalismo ainda me surpreende. Não é de hoje. E não vai ser a última vez, eu sei. Mas eu ainda fico impressionado. E não acho que eu vá me acostumar, afinal, falta de colaboração e de comunicação acabam virando falta de consideração e de respeito, principalmente entre as pessoas que estão em cargos de liderança. Não entra na minha cabeça.

Decisões que são tomadas e não são anunciadas, mudanças importantes (que envolvem, mesmo que indiretamente, grande parte dos colaboradores) que simplesmente são anunciadas da noite para o dia… Custa pensar que alguém pode estar trabalhando e, de repente, pode estar colocando empenho e tempo no lixo para ter que refazer tudo por não ter sido comunicado com um mínimo de antecedência? Custa se preocupar com isso e valorizar um pouquinho só o trabalho de quem realmente faz acontecer?! Caramba! Não pode ser tão difícil!

Eu entendo, e agora, que recém começo a engatinhar num cargo de liderança, ainda mais, que muitas vezes os afazeres, compromissos, responsabilidades e talvez principalmente a chuva de solicitações de todos os lados podem te deixar com a cabeça cheia. É lógico que às vezes é difícil lembrar de tudo, fazer tudo, etc. Mas com um mínimo de organização dá pra fazer! Dá pra cuidar das tuas responsabilidades e mostrar um pouco de preocupação com o teu colega, com a demanda dele, etc. Seja ele subordinado a você ou ao mesmo superior ao qual você se reporta.

A falta de comunicação sempre me surpreendeu nas empresas (até nas que se intitulam “de comunicação”). Também não é de hoje: me formei há 11 anos e meio e nada parece ter evoluído. Dentro do mesmo “escritório” a competição grita, enquanto a comunicação murmura ou é quase muda. Diferentes setores concorrem muito mais do que colaboram, afinal, nem se comunicam. Ao invés de focar em colaboração, simplesmente esquecem a existência dos demais setores e demais profissionais, que, muitas vezes, podem somar, complementar. Mesmo que sozinho você faça um bom trabalho, acredite: é possível alguém ter uma ideia legal, ou tão legal quanto a tua, que torne o teu resultado ainda melhor. Mas para que isso aconteça, é preciso comunicar, conversar, colaborar. Do it!

Porquê será que as coisas sempre parecem estar sendo feitas em segredo? Porquê as pessoas não são comunicadas do que está acontecendo? Porquê há tanta burocracia entre um pedido, solicitação ou necessidade e a efetivação (ou até mesmo até uma resposta negativa)? A enrolação e a demora são para testar a paciência? Porquê alguns têm mais direitos do que outros? E porquê alguns têm mais deveres do que os outros? Porquê alguns têm mais responsabilidade sobre os erros e outros mais responsabilidade sobre os acertos? Porquê alguns profissionais são tratados como inferiores quando, na verdade, estão no mesmíssimo patamar de todos os outros? Porquê uns podem e outros não? Alguns são mais confiáveis do que os outros? Ou são mais importantes, têm mais valor? Por quê? Porquê pessoas que trabalham num mesmo projeto não recebem os mesmos méritos? Ou as mesmas críticas? It’s not fair!

Pessoas que estão em cargos de liderança, ou chefia, deveriam receber atenção especial da empresa. Não no sentido de serem favorecidas, não me entendam mal, por favor. Mas no sentido de serem mais cobradas. Sim, isso mesmo! Mais cobradas pela motivação da equipe, pela satisfação, por melhores resultados. E como saber se as pessoas estão motivadas, satisfeitas e com bom rendimento? Pesquisas! Só não faz pesquisa quem tem medo de saber as respostas. Só não faz pesquisa quem tem algum problema em admitir que está errado. Só não faz pesquisa quem não se preocupa com os outros ou com o todo.

Mais uma vez: não é porque está funcionando, que não possa ficar ainda melhor. Não é porque o motor está funcionando, com barulho, mas funcionando, que não possa ser ajustado para funcionar ainda mais rápido e sem barulho.

It’s time!

É hora de perder o medo. É hora de realmente acreditar na renovação, na inovação, na valorização das pessoas, na mudança de valores e pensamentos. Dá pra fazer! Acredite! Just take the first step!

As empresas podem ter muitos tipos de resultados: financeiros, finalização e criação de produtos, atingir metas. Que podem ser diárias, semanais, mensais, anuais, de processos, de conclusões, financeiras.

Mas quem faz tudo isso acontecer são pessoas!!!

Qual o problema em enxergar e valorizar isso? O dono da empresa não vai precisar dividir seus lucros com as pessoas para reconhecê-las. Se fizer, melhor ainda. Mas se já não faz, não é disso que as pessoas vão sentir falta. Donos de empresas precisam entender isso. Líderes e chefes precisam ter liberdade para cobrar isso, ao invés de serem punidos. It’s that simple.

*Título foi modificado com a concordância do autor.

Opinião: Será que é tão difícil?
Classificado como:            

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.